Não gosto do comportamento de quem ocupa o cume da pirâmide social
brasileira. Quando digo isso, incluo amigos e parentes. O motivo é
simples: considero triste que nossa estratificação social esteja baseada no
poder aquisitivo e no consumo. Acredito que a elite de uma sociedade deveria
ser composta por indivíduos dotados de uma formação de altíssimo nível, plena consciência
de si e pensamento crítico aguçado. Mas as coisas não são bem assim. Nossos
pretensos aristocratas são aqueles que dirigem carros que custam três vezes
mais que em seus países de origem e obedecem à mesma matemática para os preços
de suas roupas, mobília e gadgets.
Sempre com o objetivo obtuso de se diferenciar dos mais pobres, identificando
seus semelhantes pelos bens, vestimentas, objetos e, desta maneira, formando um grupo a
parte, uma bolha.
E pouco importa a eventual origem escusa dos rendimentos, a
falta de respeito com o garçom e o filho que não estuda, mas ocupa cargo de
diretoria assim que termina uma faculdade de segunda linha. É tudo parte da
lógica provinciana dos nossos ricos: esteja de acordo com o senso comum do
grupo, tenha muito dinheiro e o gaste de maneira semelhante a do morador da
cobertura ao lado. Uma receita simples e certa para compor as fileiras de uma "classe A" degenerada e dispensável.


















